Stardust

Com a alta em cinebiografias de astros musicais nos últimos anos, como os premiados Bohemian Rhapsody, Rocketman e Judy: Muito Além do Arco-Íris, Stardust parece querer entrar na moda sem êxito.

O longa conta um pequeno trecho da vida de David Bowie, vivido por Johnny Flynn, entre os anos 1971 e 1972, quando ele embarca para os Estados Unidos pela primeira vez para promover seu terceiro álbum, The Man Who Sold The World.

Ainda com sucesso limitado e duvidoso no Reino Unido, o jovem Bowie é um desconhecido na América, e chega sem grandes luxos a uma terra diferente para tentar sua grande chance. Logo de cara, ele se depara com o fracasso que está por vir, com dificuldades a ser autorizado a entrar no país, humilhação e entender que não terá um quarto de hotel para passar a noite.

Recebido pelo publicitário da Mercury Records, sua gravadora americana, Ron Oberman (Marc Maron) parece ser o único disposto a acreditar no talento da jovem estrela. Porém, David não parece pronto para tal rejeição, ao mesmo tempo que lida com seus demônios pessoais e sua esposa (Jena Malone) grávida na Inglaterra, a relação entre os dois passa a ser bem complicada durante o caminhar da história.

Bowie não possui um visto de trabalho, impossibilitando-o de se apresentar ao vivo. O que resta é fazer publicidade em pequenos eventos e rádios, causando tremendo desgosto com o astro que, em momentos, desacredita do seu potencial. Por outro lado, lida com sintomas de esquizofrenia, que acredita ser o legado de sua família com o que presenciou de perto a queda de seu irmão mais velho.

A parceria entre David e Ron se mantém com a promessa de colocá-lo na capa da revista Rolling Stone, o que é um longa jornada enquanto percorre por pequenos trabalhos em cidades americanas.

Entre os sintomas, experiências da viagem e as memórias com seu irmão Terry, Bowie cria a ideia de seu personagem icônico Ziggy Stardust, inspirado por artistas como Iggy Pop e Lou Reed, e apresentado no ato final do longa.

Neste roadie, a música não tem o palco principal. As apresentações são limitadíssimas com apenas uma grande cena ao fim. Vale ressaltar também que há diversos pontos não apurados entre a realidade e ficção, assim como diz o próprio filme no início, durante uma sequência de sonho do astro, “o que segue é (em grande parte) fictício”.

Um dos projetos mais populares da seleção da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo não acerta no retrato do artista, mas cria um bom drama.

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