Rebecca – A Mulher Inesquecível

Rebecca – A Mulher Inesquecível (2020) é a adaptação do clássico romance de Daphne Du Maurier de 1938, mas por vezes parece mais um remake da adaptação de 1940 de Alfred Hitchcock.

Uma jovem, vivida por Lily James, é uma pobre garota sem parentescos que exerce a função de dama de companhia da Sra. Van Hopper (Ann Dowd), a troco de um salário quase nulo, mas com a ambição de conhecer o mundo a seus custos.

Durante uma estadia em Monte Carlo, Mônaco, elas cruzam com Maxim De Winter, vivido por Armie Hammer. Um homem rico, viúvo e bem apresentável, ele desperta o interesse da senhora, mas é pelo jeito atrapalhado e confuso da moça que ele se encanta.

Após uma noitada com amigas, onde zombam da personagem de James, a dama adoece dando alguns dias de folga para a jovem. Com tempo livre, Maxim e a garota, que não possui um nome na trama, aproveitam alguns passeios, tornando-se um casal completamente apaixonado. Quando a Sra. Van Hopper se recupera e avisa sobre sua ida à Nova York, eles decidem trocar alianças e partir para o lar da família De Winter, deixando a antiga empregadora seguir caminho em sua viagem.

De comédia romântica a suspense, é neste momento que o tom do filme muda completamente. A chegada dos recém-casados a mansão acompanha uma grande tensão invisível. Recebidos pela Sra. Danvers (Kristin Scott Thomas) e toda a equipe, o Sr. De Winter logo deve voltar a focar nos negócios, deixando a nova Sra. De Winter a mercê da governanta e da enorme propriedade desconhecida.

Sentindo certa estranheza e frieza da Sra. Danvers, ela começa a notar coisas atípicas em torno da rotina e das pessoas. A todo momento a presença da falecida esposa Rebecca se faz presente, seja pelos hábitos, pelos afazeres, pelas regras e proibições ou pelos objetos em cena, que agora passam a ser sua responsabilidade.

A jovem entende que a governanta é fiel a antiga madame, ao mesmo tempo que descobre fatos, como um chalé próximo a praia com os pertences de Rebecca e de um barco, e também sua relação com um primo que não é bem visto por Max. Ao afrontar a empregada, ela dá uma nova chance e, contando com sua ajuda, decide promover um grande baile na mansão para convidados.

Ao desenrolar da história, ela compreende que está sozinha naquele espaço que não a pertence. No ato final, revelações sobre a morte de Rebecca e a percepção dos fatos ao seu redor são esclarecidas.

Diferente do roteiro da versão de Hitchcock, onde tudo é exposto, esclarecido e desenrolado em uma espécie de reunião muito bem executada, a nova versão muda um pouco o curso, levando a uma longa trama de investigações, suborno e julgamentos, alguns com referências ao texto original do livro. Mas é neste momento que o projeto perde alguns pontos por tentar realizar tudo tão rapidamente, ao mesmo tempo que coloca a protagonista em meio a todos eventos, impossibilitando-a de estar no conflito final.

A fotografia é encantadora, com tomadas que exalam a inspiração em Hitchcock, e pelas brilhantes combinações de cores e contrastes. A cenografia também tem um trabalho aplaudível por compor grande parte da história com a presença e ausência da falecida esposa.

Rebecca – A Mulher Inesquecível (2020) está disponível no catálogo da Netflix.

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