Resenha l Sem Ar

Sem Ar, o romance mais pessoal de Jennifer Niven, autora de Por Lugares Incríveis, acompanha a história de Claudine Henry, uma jovem que precisa largar os planos de viajar com a melhor amiga no verão, antes de iniciarem a faculdade, porque seus pais decidem se separar e sua mãe a obriga a ir para uma ilha isolada, onde antigos parentes moravam.

“E isso, eu sei, faz parte de amadurecer. A parte que não te falam. Que você pode de repente estar em outro quarto, que não se parece em nada com aquele com que está acostumada, e não há como voltar — por mais que você queira —, porque de agora em diante só existe este lugar, e a única coisa a fazer é se acomodar e tentar encontrar sentido nisso e dizer a si mesma que esta é a sua vida agora. Vai ser assim. E você vai ficar bem. Você vai conseguir. Porque não tem escolha.”

Como uma boa adolescente sem internet, sinal no celular ou amigos, é claro que Claude tem dificuldade para se adaptar à nova rotina. Ainda que esteja no paraíso, ela não consegue ficar feliz ao pensar em tudo que está perdendo na sua cidade natal e na súbita separação de seus pais, já que ela nunca notou sinais de que algo não estava bem, além deles terem lhe pedido que fizesse total segredo.

Assim como sua mãe, Claude gosta de escrever e lidar com suas emoções através disso. Elas acreditam que a escrita pode curar. Enquanto a mãe cumpre seu trabalho de investigar mais a fundo a história local, ela acaba decidindo explorar a ilha. E é aí que ela conhece Jeremiah, um jovem de espírito livre e passado misterioso que trabalha lá durante o verão.

“É uma dessas tragédias às quais minha mãe, a escritora, se refere como um momento definidor: aquele momento em que a vida muda de repente e você tem que juntar os pedaços. Ela diz que é como você junta os pedaços que define quem você é.”

À princípio , os dois soltam faíscas entre si, porque Claude está sem saco de não ter nada para fazer e Miah não consegue entender o porquê de tanta raiva e dela não querer aproveitar a beleza desse lugar. É com muita sinceridade que eles acabam se conectando e ajudando um ao outro a lidar com os problemas da vida que os perturbam. Enquanto vivem aventuras pelas praias, dunas e florestas, eles tentam não se apaixonar — afinal, têm os dias contados. Mas esse romance é exatamente o que precisavam para começarem a escrever sua própria história.

Os personagens secundários não estão alí de enfeite. Eles têm suas próprias histórias e são muito importantes para a jornada e o despertar de sentimentos, principalmente de Claude. É impossível não sentir por ela em meio a tantas mudanças. E é por isso que a obra vai muito além do romance, pois aborda histórias de vida muito reais e profundas, com feridas, aprendizados e amadurecimentos. Ensinando também sobre o poder do tempo e da calma para realmente podermos seguir em frente.

Emocionante do começo ao fim, é uma história que consegue te tocar e cativar as suas próprias lembranças, ainda mais se tiver passado por algo semelhante.

“A vida é um acúmulo de dores. Elas nos preenchem e nos tiram o ar e achamos que nunca mais vamos conseguir respirar. Mas antes de nos darmos conta, somos apenas palavras em um papel, silenciados e adormecidos até que alguém encontre essas palavras e as leia.”

Já a venda em todas as livrarias do Brasil.

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